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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Primeiro pedacinho da Saga de Chico ou O Morro...

Eu li num lugar que escrever é tal e qual fazer brigadeiro, vai juntando coisas, mexendo, virando, acarinhando e quando você menos espera ta lá o bicho pronto... aí é devorar...
Fiquei pensando nisso (acabei fazendo brigadeiro nesse meio tempo) e resolvi começar a juntar ingredientes... panela, carinho, açúcar(não muito), atenção, pesquisa, emoção, e boas pitadas de humor (só pra temperar).
I

Chico do Francisco era Mestre Sala, daqueles dos bons, que cortejava sua Porta Bandeira com todo amor e segundas intenções para desespero de Guimba, o marido da Dita. Quem era Dita? Era a Deusa do morro.
Posto já as três figuras vou esmiuçá-las com mais afinco (gosto dessa palavra esmiuçar, pra mim é uma palavra colorida, porque pra mim toda palavra tem sua cor, agente enche a boca depois cospe ESMIUÇAR). Vamos começar com Chico do Francisco, Chico vem de uma família muito criativa. O nome do seu pai era Francisco, o do seu avô era Francisco, o do pai do avô era Francisco, era uma raça enorme de Franciscos, sabe como é no morro... Quem é esse sujeito???? Ahhh é o fulano filho de Fulano e aí o Chico virou Chico do Francisco, fica um pleonasmo familiar (Pleonasmo é aquele negócio de “entrar pra dentro”, “vi com meus olhos” e pleonasmo pra mim é cor de abóbora, quase ocre).

Então o povo criativo produziu o Chico, Chico era aquele gente boa (muito boa, diga-se de passagem, uma coisa de moreno!) era aquele amigão, aquele que podemos contar no hora do aperto, chama o Chico que ele resolve em três palitos, durante o ano ele tinha um emprego de “gente normal” era ajudante de caminhão, carregava e descarregava cerveja, Ehh laiá... Mas na hora de trabalho ele só carregava e descarregava nada de carregar para o próprio copo. Trabalhava duro o Chico, sustentava a casa com a mãe, a irmã, os filhos da irmã e o cunhado (se cunhado fosse bom não começava com... você sabe). Chico passava os dias carregando cerveja nas costas e o cunhado passava o dia bebendo e fazendo a mesma piadinha mequetrefe... “Estou valorizando o trabalho do cunhadão, ele faz tanto esforço pra carregar que eu faço  o esforço de beber”, Chico “garrou” um ódio pelo sujeito, como que sua irmã, uma menina tão bacana (feia, mas bacana) conseguiu casar e se reproduzir com aquele sujeito, mas tudo tem um lado bom... Os sobrinhos eram boa parte da vida de Chico, o tempo que ele tinha livre ele brincava com os moleques (Moleque não é uma palavra  amarela? Um amarelo bem vivo, bem forte, bem brilhante...) era uma confusão... vuco vuco, um monte de “seiláoquê” acontecendo ao mesmo tempo... um berrava com a bola o outro berrava com a pipa e o outro com aquele bicho eletrônico que o Chico comprou no Natal, caraca que troço caro vai pagar em 10x sem juros... Mas valeu a carinha dos moleques (agora num amarelo mais clarinho, carinhoso).